O ano de 2026 nao sera para amadores Economia by Portal Meus Investimentos - 19 de janeiro de 2026 Publicidade O Clima Manda, a Geopolítica Interfere e a Regulação é Real O Clima Manda, a Geopolítica Interfere e a Regulação é Real Por Marcos Dallagnese – DF O ano de 2026 se inicia para o agronegócio brasileiro sem margem para otimismo ingênuo. Em vez de folga, o setor enfrenta um momento de intensa cobrança. Embora o agro esteja robusto e seja vital para a economia, o padrão mudou: não basta apenas produzir em grande volume; é imperativo produzir de forma correta, otimizar as vendas e comprovar a origem dos produtos. Os fatores de risco são claros: o clima segue soberano, as tensões geopolíticas continuam a impactar o mercado, e a regulação deixou de ser uma preocupação futura para se tornar uma exigência operacional imediata. Quem insistir em métodos de operação improvisados será o primeiro a sentir as consequências. O cenário da produção agrícola é impressionante. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima uma safra de grãos próxima a 354,4 milhões de toneladas. A soja, principal produto do país, deve superar 177 milhões de toneladas, firmando o Brasil como líder mundial. O milho mantém-se forte, com projeção de 138 milhões de toneladas. Contudo, reside aqui um risco: uma safra volumosa em um contexto de altos custos, gargalos logísticos e demanda instável não garante lucro; apenas sinaliza margens apertadas. Em 2026, perder o momento certo para comercializar ou não utilizar mecanismos de proteção (hedge) será caracterizado como falha administrativa, não como azar. O Fator Climático Não Perdoa. A transição gradual do fenômeno La Niña não implica estabilidade, mas sim um período de transição, que é inerentemente instável. Espera-se chuvas em épocas inadequadas, ocorrência de granizo e janelas de plantio/colheita mais curtas e extremas. O Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC) deixa de ser apenas uma orientação técnica para se tornar uma condição de continuidade, especialmente porque as instituições de crédito agora exigem sua observância como contrapartida para financiamentos. O Milho Reflete a Nova Realidade A segunda safra de milho (safrinha) continua sendo crucial e divide a atenção com o setor de etanol, que influencia tanto o volume de demanda quanto a previsibilidade do mercado. Custos elevados, impulsionados pelos preços dos fertilizantes e do transporte, impõem uma dura realidade: não há espaço para decisões baseadas apenas na intuição ou no “sentimento”. A gestão do milho em 2026 será ditada pela análise de dados e planilhas, e não pela mera expectativa. É no café que o novo panorama do agronegócio brasileiro se torna mais evidente. O setor chega a 2026 após dois anos marcados por severos choques climáticos, estoques globais reduzidos e cotações elevadas. No entanto, é um erro confundir preço alto com estabilidade. O mercado está caro devido à sua fragilidade. Qualquer evento climático adverso (geada ou seca) ou perturbação logística causa reações imediatas na bolsa (ICE Futures). Produzir sem proteção comercial é assumir uma aposta arriscada contra o próprio fluxo de caixa. Ponto Crucial: 2026 marca o fim da tolerância com a informalidade. A nova legislação da União Europeia contra o desmatamento não é um detalhe secundário; é uma barreira essencial para acessar o mercado. A capacidade de exportação depende cada vez mais da comprovação da origem do produto. Rastreabilidade, georreferenciamento e conformidade regulatória deixaram de ser vantagens competitivas e se tornaram pré-requisitos mínimos. Quem ainda não internalizou isso está focado no problema errado. A natureza do crédito também se transformou. Não se trata mais de um acesso fácil ao capital. Em 2026, o financiamento estará atrelado à comprovação de gestão de risco climático, sustentabilidade verificada e um planejamento estratégico sólido. Focar apenas na próxima safra é uma visão míope para um setor que lida com ciclos longos, alta volatilidade e crescente pressão regulatória. Ignorar essas novas exigências não é apenas perder uma oportunidade; é perder a relevância no mercado. Há um fator adicional de incerteza no horizonte: sendo um ano eleitoral, a polarização política e as instabilidades macroeconômicas podem amplificar a volatilidade do mercado. Produtores dependentes de crédito, câmbio e confiança do investidor precisarão ter planos de contingência, disciplina rigorosa no fluxo de caixa e atenção máxima aos prazos. O comércio internacional não é mais baseado apenas em atrair compradores, mas sim em um processo de seleção rigorosa. A China recalibra suas compras, a Europa impõe acordos com critérios rígidos, e o mercado passa a valorizar mais a confiabilidade da origem e a constância do fornecimento do que simplesmente o volume produzido. O café que alcançará o melhor preço não será o mais abundante, mas sim o mais confiável. Essa lógica se aplica a todo o agronegócio. A carne enfrenta barreiras e cotas; a soja, embora dominante, sofre com a instabilidade das bases de preço; e o milho, apesar da industrialização crescente, tem seus custos elevados. O ponto comum é direto e desafiador: o agronegócio brasileiro não está sendo ameaçado, está sendo classificado. O ano de 2026 será produtivo para aqueles que agem com método, proteção de mercado e visão estratégica. Contudo, será implacável com quem insiste em usar táticas ultrapassadas em um cenário completamente novo. O agro brasileiro entra em 2026 com grande porte; para permanecer grande, será necessária uma qualidade mais rara que a escala: maturidade. (Marcos Dallagnese é engenheiro agrônomo com formação executiva em agronegócio pela John Molson School of Business e diretor Comercial da Orbia) Visão Geral O panorama do agronegócio para 2026 exige uma mudança de paradigma: o sucesso depende agora da gestão de risco, conformidade e estratégia de mercado, e não apenas da capacidade produtiva. Fatores como as intempéries climáticas persistentes, as tensões geopolíticas e a implementação efetiva de novas regulamentações (como a antidesmatamento da UE) forçam o setor a profissionalizar suas operações. A falta de planejamento e proteção comercial será punida, enquanto a rastreabilidade e a sustentabilidade se consolidam como requisitos básicos para acesso aos mercados globais. Créditos: Misto Brasil Veja tudo de ” O ano de 2026 nao sera para amadores ” em: Portal Energia Limpa. 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