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FGC e a Crise das Notas Sob Exame de Responsabilidade

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A verdadeira face da corrupção, oculta atrás de uma fachada de legitimidade, amplifica o perigo que espreita a confiança depositada

A chancela oficial, concedida sob o manto de uma tecnicidade questionável, mascara o risco real que corrói o patrimônio de terceiros

Por Wagner Balera – SP

É surpreendente notar, em meio aos recentes **revéses no sistema bancário** (os “caminhos do banco e da banca”), que uma agência de classificação de risco concedeu nota “A” a um banco que já estava em processo de liquidação e sem perspectivas de recuperação, conforme relatado por um especialista do setor.

O mesmo especialista detalhou o funcionamento interno dessas avaliações: as instituições financeiras buscam a avaliação de **agências de reconhecida idoneidade**. Contudo, apenas as notas mais favoráveis são divulgadas publicamente, enquanto as classificações negativas são secretamente arquivadas.




Leia: Exclusivo: liquidações no Banco Central se arrastam por anos

Se órgãos de investigação apurassem a real motivação por trás da nota “A” concedida a este banco, poderiam encontrar provas de aquisições de ativos financeiros deteriorados, que estariam sendo “renovados” para serem guardados como relíquias dessa fase incomum.

Essa classificação oficial, baseada em critérios técnicos questionáveis, encobre o perigo iminente que está corroendo o capital de investidores e terceiros. A discrepância entre a nota atribuída e a verdadeira condição operacional da instituição revela uma falha alarmante nos sistemas de controle vigentes.

Neste cenário, a confiança, pilar fundamental do mercado financeiro, torna-se um **ativo instável e de origem suspeita**. O investidor, desprovido de informações confiáveis, torna-se o elo mais fraco em um jogo de interesses obscuros.

Um economista de renome observou, sobre o caso do banco com nota “A”, que há um grande interesse em promover um esquema de proporções gigantescas (“assinar uma pizza do tamanho do Maracanã”).

Embora a pizza seja amplamente apreciada como **bem de consumo direto**, a analogia sugere que, neste caso, os componentes estragados tornam o produto final repulsivo.

O mau cheiro que emana dessa “preparação” aponta para a podridão de empréstimos consignados, misturada com a má gestão decorrente de **invasões de competência**, onde diversos atores buscam visibilidade, seguindo a máxima irônica atribuída a Chacrinha: “Eu vim para confundir, não para explicar”.

Nesta linguagem codificada, que pouco esclarece para o público leigo, surge uma possível tábua de salvação: o Fundo Garantidor de Créditos (FGC). O FGC alertou 38 vezes sobre os riscos associados aos ativos que poderiam comprometer quem os adquirisse.

Agora, os prejuízos serão distribuídos entre diversos agentes.

Até mesmo os cotistas de fundos de pensão, que esperavam segurança para seu futuro, serão forçados a absorver parte desse prejuízo.

Felizmente, foi **vetada a aquisição desse banco nota A** por uma instituição pública. Se a compra tivesse ocorrido, os avaliadores internos poderiam ter sido enganados por *due diligences* superficiais, aceitando laudos tendenciosos de quem apoiava o negócio — um desastre que foi evitado antes de ser consumado.

A crise econômica global, na qual o Brasil está inserido, demonstra que a capacidade de previsão tem falhado em diversos setores.

Chegou-se ao ponto de um **órgão governamental** planejar um grande evento baseando-se na previsão de um líder falecido de que não choveria no dia.

O sistema, oculto sob uma fachada de estabilidade, prefere ignorar a realidade evidente em prol de manter aparências. Enquanto os **elementos da má administração** se deterioram abertamente, as classificações oficiais continuam a mascarar o que já não pode ser salvo.

Essa negligência intencional, que desconsidera alertas técnicos para **distribuir prejuízos ao público**, é um sinal claro de colapso ético. Nos acordos de bastidores, o ônus do fracasso sempre recai sobre o cidadão que confiou na lisura das operações.

É hora de pôr fim a esse ciclo de prognósticos falhos e a **invasão de competências** que resultam na criação de esquemas fraudulentos que vendem falsas esperanças.

(Wagner Balera é professor titular de Direitos Humanos da PUC-SP)


Visão Geral

O texto critica a concessão de notas de crédito elevadas (como “A”) a instituições financeiras em situação de insolvência, destacando a falha e a parcialidade das agências de classificação de risco. O autor utiliza a metáfora de uma “pizza podre” para ilustrar como os riscos reais são escondidos por tecnicalidades e interesses ocultos, resultando em prejuízos para o público e para fundos de pensão. A análise aponta para uma crise ética e de controle no sistema financeiro, onde a confiança é comprometida e a má gestão é ignorada pelas autoridades competentes.

Créditos: Misto Brasil

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