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Economia criativa brasileira enfrenta grave crise de liquidez

Economia criativa brasileira enfrenta grave crise de liquidez
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A Economia Criativa em Risco: O Desafio da Previsibilidade nos Pagamentos

Atraso nos Pagamentos: O Desafio da Previsibilidade na Economia Criativa

Por Luiz Octavio Neto – DF

A economia criativa movimenta bilhões e impulsiona o Brasil em áreas como cultura, audiovisual, design e publicidade. De acordo com o Mapeamento da Indústria Criativa 2025 (Firjan), este setor representa 3,59% do PIB nacional, empregando formalmente mais de 935 mil profissionais, além de inúmeros autônomos e microempreendedores.

Apesar de sua importância econômica, o setor enfrenta um grande paradoxo: ele opera com sérios problemas de fluxo de caixa, dependendo frequentemente de pagamentos futuros para se manter.




É comum que, após a entrega de um trabalho, agências, produtoras e criadores esperem de 60 a 120 dias para receber. Durante esse período, eles precisam cobrir custos operacionais, salários e impostos, muitas vezes sem capital de giro ou acesso fácil a crédito.

Essa crise de liquidez afeta toda a cadeia, desde o editor e ilustrador autônomo até a produtora. O atraso de um cliente gera um efeito cascata: a produtora não repassa, os prestadores de serviço param, e a qualidade e a continuidade da produção são comprometidas.

Um agravante é a prevalência de contratos verbais ou com pouca segurança jurídica, dificultando a cobrança em casos de inadimplência. A combinação de informalidade, demanda volátil e falta de garantias tradicionais intensifica a instabilidade financeira do setor.

Artesanato Planaltina exposição Misto Brasília
Peças de artesanato em exposição no Museu Histórico de Planaltina/Arquivo/Divulgação

Reformulando a Lógica de Risco e Financiamento

Empresas como a DUX, fintech focada em soluções financeiras para a economia criativa, têm notado essa necessidade. Em um ano de operação, a DUX antecipou mais de R$ 33 milhões em recebíveis para criadores e estúdios. Estima-se que a demanda reprimida por liquidez no setor ultrapasse R$ 1 bilhão.

Os modelos tradicionais de crédito são inadequados para a economia criativa, pois foram criados para negócios com ativos físicos e ciclos previsíveis. A criatividade, por outro lado, lida com ativos intangíveis, inovação e prazos irregulares.

O grande desafio é reformular a avaliação de risco, utilizando dados e tecnologia para criar garantias adaptadas à realidade do setor. Financiar a criatividade não é caridade; é uma estratégia de desenvolvimento que gera empregos e inovação.

Para que o setor cresça de forma sustentável, o fluxo financeiro deve acompanhar o ritmo da entrega. Isso exige soluções estruturais que ofereçam previsibilidade e segurança.

É fundamental que haja uma articulação entre bancos, agências de fomento, investidores e políticas públicas. É preciso criar marcos regulatórios que reconheçam a economia criativa como um vetor estratégico e que incentivem produtos financeiros específicos para ela.

A criatividade é um ativo valioso e, como tal, exige respostas sistêmicas e sustentáveis em termos de liquidez. As soluções financeiras inovadoras já existem e estão gerando resultados concretos, sendo essenciais para garantir a competitividade do Brasil criativo.

(Luiz Octavio Neto é economista, CEO da DUX e sócio da consultoria OZ)


Visão Geral

A economia criativa brasileira, apesar de seu grande peso no PIB e na geração de empregos, sofre com a falta de previsibilidade nos pagamentos, que frequentemente demoram meses após a entrega dos projetos. Essa lacuna de liquidez sufoca financeiramente empresas e profissionais, impactando a qualidade e a continuidade da produção. Os modelos de crédito tradicionais falham em atender às necessidades deste setor baseado em ativos intangíveis. A solução passa pela reformulação da avaliação de risco, uso de tecnologia financeira e a criação de políticas públicas e produtos bancários adaptados, garantindo que o fluxo de caixa acompanhe o ritmo da criação.

Créditos: Misto Brasil

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