Comercio livre com grande potencial de integracao de mercado Economia by Portal Meus Investimentos - 17 de janeiro de 2026 Publicidade Aprovação e Assinatura do Acordo Mercosul-União Europeia Aprovação e Assinatura do Acordo Mercosul-União Europeia Por Alex Rodrigues – DF Após 26 anos de negociações, representantes do Mercosul e da União Europeia (UE) estão prontos para assinar um acordo de livre comércio, que visa integrar um mercado com aproximadamente 720 milhões de pessoas (450 milhões na UE e cerca de 295 milhões no Mercosul). O tratado foi aprovado pela grande maioria dos 27 países que compõem a UE e será formalmente assinado em Assunção, no Paraguai, sede temporária do Mercosul desde dezembro de 2025. Leia – um passo de formalizar o acordo Mercosul-UE Leia – cordo entre o Mercosul e UE é festejado na ApexBrasil Leia – Depois de 26 anos, europeus aprovam acordo com o Mercosul A cerimônia de assinatura está marcada para as 12h15 (horário de Brasília) no teatro José Asunción Flores, do Banco Central paraguaio. Curiosamente, este é o mesmo local onde, em 1991, foi assinado o Tratado de Assunção, marco inicial para a formação do Mercosul (que hoje inclui Argentina, Bolívia, Brasil, Paraguai e Uruguai). O evento contará com a presença dos presidentes dos países-membros (Javier Milei da Argentina, Rodrigo Paz da Bolívia, Santiago Peña do Paraguai e Yamandú Orsi do Uruguai), além de líderes da cúpula europeia, como Ursula von der Leyen (presidente da Comissão Europeia) e António Costa (presidente do Conselho Europeu). O Brasil será representado na assinatura pelo Ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. No dia anterior (16), o Presidente Lula havia recebido Ursula e Costa no Rio de Janeiro para discutir a implementação do acordo e outros assuntos internacionais. A assinatura serve para protocolar o fim da fase de negociações técnicas e políticas que se iniciaram em junho de 1999. O texto prevê a eliminação gradual de tarifas de importação para mais de 90% do comércio bilateral, abrangendo bens industriais (como máquinas, ferramentas e automóveis) e produtos agrícolas. Após a assinatura, o acordo precisa ser ratificado pelo Parlamento Europeu e pelos congressos nacionais de cada membro do Mercosul. A entrada em vigor da parte comercial dependerá dessa aprovação legislativa, com implementação escalonada ao longo dos anos subsequentes. A expectativa é que o tratado seja implementado gradualmente, estabelecendo a maior zona de livre comércio do mundo, embora os efeitos práticos demorem a ser totalmente sentidos. Nesta quinta-feira (15), o Vice-Presidente e Ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, expressou confiança de que o acordo comercial poderia entrar em vigor no segundo semestre do ano corrente. “Assinado, o Parlamento Europeu aprova sua lei e nós, no Brasil, aprovamos a lei, internalizando o acordo. A gente espera que aprove a lei ainda neste primeiro semestre e que tenhamos, no segundo semestre, a vigência do acordo. Aí, ele entra imediatamente em vigência”, declarou Alckmin. Embora seja celebrado por governos e setores industriais, o acordo enfrenta críticas e protestos de agricultores europeus, receosos da concorrência dos produtos sul-americanos devido à eliminação de tarifas alfandegárias. O tratado também é alvo da desconfiança de ambientalistas devido a preocupações sobre impactos climáticos e competição agrícola. No entanto, a Ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, considera que o texto final está alinhado com a agenda ambiental, promovendo desenvolvimento e proteção da natureza. A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) calcula que a implementação do acordo pode aumentar as exportações brasileiras em cerca de US$ 7 bilhões, favorecendo a diversificação das vendas internacionais e a indústria nacional. O que diz o acordo comercial 1. Eliminação de tarifas alfandegárias Redução gradual de tarifas aplicadas à maior parte dos bens e serviços. O Mercosul desonerará 91% dos bens provenientes da UE em até 15 anos. A União Europeia eliminará tarifas sobre 95% dos bens do Mercosul em até 12 anos. 2. Ganhos imediatos para a indústria Tarifa zero desde o início para vários produtos industriais. >> Setores beneficiados incluem: Máquinas e equipamentos; Automóveis e autopeças; Produtos químicos; Aeronaves e equipamentos de transporte. 3. Acesso ampliado ao mercado europeu Empresas do Mercosul terão preferência em um mercado de elevado poder aquisitivo (UE com PIB estimado em US$ 22 trilhões). O comércio deve se tornar mais previsível e com menos barreiras técnicas. 4. Cotas para produtos agrícolas sensíveis Produtos como carne bovina, frango, arroz, mel, açúcar e etanol terão cotas de importação estabelecidas. Tarifas são aplicadas para volumes que excedam essas cotas. As cotas aumentarão com o tempo, com tarifas reduzidas, em vez de permitir entrada irrestrita, visando evitar choques bruscos para agricultores europeus. Na UE, as cotas correspondem a cerca de 3% do volume ou 5% do valor importado do Brasil. No Brasil, as cotas chegam a 9% do volume ou 8% do valor. 5. Salvaguardas agrícolas A UE terá a prerrogativa de reintroduzir tarifas temporariamente caso: As importações superem limites pré-definidos; Os preços fiquem significativamente abaixo dos praticados no mercado europeu. Esta medida se aplica a cadeias produtivas consideradas sensíveis. 6. Compromissos ambientais obrigatórios Produtos abrangidos pelo acordo não poderão ter origem em desmatamento ilegal. As cláusulas ambientais são de caráter vinculante. Há previsão de suspensão do acordo em caso de descumprimento do Acordo de Paris. 7. Regras sanitárias continuam rigorosas A UE não alterará seus padrões sanitários e fitossanitários. Produtos importados deverão aderir a exigentes regras de segurança alimentar. 8. Comércio de serviços e investimentos Redução da discriminação regulatória contra investidores estrangeiros. Avanços previstos em setores como: Serviços financeiros; Telecomunicações; Transporte; Serviços empresariais. 9. Compras públicas Empresas do Mercosul poderão participar de licitações públicas na UE, sob regras mais transparentes e previsíveis. 10. Proteção à propriedade intelectual Reconhecimento de aproximadamente 350 indicações geográficas europeias. Estabelecimento de regras claras para marcas, patentes e direitos autorais. 11. Pequenas e médias empresas (PMEs) Inclusão de um capítulo dedicado às PMEs. Medidas para facilitar procedimentos aduaneiros e o acesso à informação. Objetivo de reduzir custos e burocracia para pequenos exportadores. 12. Impacto para o Brasil Potencial aumento das exportações, especialmente dos setores agropecuário e industrial. Maior inserção nas cadeias globais de valor. Possível atração de investimentos estrangeiros no médio e longo prazo. 13. Próximos passos Assinatura agendada para 17 de janeiro, no Paraguai; Aprovação subsequente pelo Parlamento Europeu; Ratificação nos Congressos Nacionais do Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai; A entrada em vigor só ocorrerá após a conclusão de todos os ritos legais; Acordos que ultrapassam a política comercial exigem a aprovação dos parlamentos nacionais. Visão Geral O acordo entre Mercosul e União Europeia representa um marco histórico, finalizando negociações que duraram mais de duas décadas. A assinatura formal, aprovada pela maioria dos membros da UE, ocorrerá no Paraguai. O tratado visa criar uma das maiores zonas de livre comércio do mundo, promovendo a eliminação progressiva de tarifas alfandegárias para a maioria dos bens industriais e agrícolas, com exceções gerenciadas por cotas para produtos mais sensíveis. Enquanto setores industriais esperam um impulso nas exportações (estimado em US$ 7 bilhões para o Brasil), o acordo gera debates, especialmente entre agricultores europeus temerosos da concorrência e ambientalistas atentos aos compromissos vinculantes de sustentabilidade. A implementação efetiva, no entanto, depende de um longo processo de ratificação legislativa em ambos os blocos. Créditos: Misto Brasil Veja tudo de ” Comercio livre com grande potencial de integracao de mercado ” em: Portal Energia Limpa. 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