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Análise da Projeção de Redução do Curtailment e Seus Impactos na Geração Renovável Brasileira

A perspectiva de que o curtailment deve cair no fim de 2025 traz otimismo, mas a gestão da intermitência ainda pressiona solar e eólica no Brasil no médio prazo.

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O Gargalo da Transmissão e o Ponto de Virada

O curtailment ocorre primariamente quando a geração, especialmente a solar no meio do dia e a eólica durante períodos de vento forte, excede a capacidade de escoamento da rede de transmissão ou a demanda instantânea do sistema. Isso força o Operador Nacional do Sistema (ONS) a restringir a operação das usinas, gerando perda de receita para os geradores.

A expectativa de queda a partir do fim de 2025 está intrinsecamente ligada à conclusão de grandes obras de linhas de transmissão que estão atualmente em fase final de construção e testes. Esses novos corredores são cruciais para levar a energia gerada no Nordeste para os centros de consumo do Sudeste/Centro-Oeste. Especialistas em grid management apontam que esses investimentos são a chave para o alívio imediato.

A Pressão Persistente: Além do Fim de 2025

Apesar do alívio esperado, a natureza da pressão solar e eólica no Brasil não desaparecerá com a conclusão das linhas. A intermitência inerente dessas fontes exige soluções de firming (firmeza de despacho). Se a instalação de novos projetos de geração eólica e solar continuar em ritmo acelerado — o que é esperado —, a capacidade de curtailment voltará a crescer logo após 2025, caso não haja investimentos paralelos robustos.

A solução definitiva passa por duas frentes tecnológicas:

  1. Armazenamento (Baterias e Hidrogênio Verde): A adoção em larga escala de sistemas de baterias de grande porte para absorver o excesso de geração e devolvê-lo ao sistema quando a demanda for alta (e a geração solar/eólica baixa) é o game changer aguardado.
  2. Flexibilidade da Rede: Modernização de subestações e adoção de smart grids que permitam um gerenciamento mais dinâmico e em tempo real do despacho, otimizando o uso da rede existente.

O Custo da Incerteza para o Investidor

Para o investidor em energia renovável, a previsão de queda no curtailment é um fator positivo que melhora a bankability de projetos recém-contratados. No entanto, a incerteza sobre a taxa de restrição futura é um risco que precisa ser precificado nos contratos de PPA (Power Purchase Agreement).

Se o curtailment se tornar um problema estrutural recorrente (mesmo que menor), os bancos podem exigir garantias mais elevadas ou taxas de juros maiores para financiar novos parques, refletindo a incerteza de receita da usina.

O Papel das Termelétricas a Gás

Enquanto o sistema de transmissão não se expande ou o armazenamento se consolida, as usinas termelétricas a gás natural continuam sendo o principal mecanismo de ajuste para evitar o desperdício de energia eólica/solar. Elas entram em operação quando há excedente e desligam rapidamente quando o vento ou o sol voltam a gerar, atuando como amortecedores.

Apesar de serem um combustível fóssil, elas são cruciais para “fazer a ponte” até que as soluções de armazenamento se tornem economicamente escaláveis no país. A gestão da transição energética passa necessariamente por otimizar a sinergia entre fontes intermitentes e fontes firmes.

Visão Geral

A perspectiva de ver o curtailment cair no fim de 2025 é um sopro de alívio para a indústria solar e eólica brasileira. Contudo, o setor precisa encarar a realidade de que, sem um avanço igualmente rápido em armazenamento e digitalização da rede, a pressão solar e eólica no Brasil sobre a capacidade de escoamento da energia limpa permanecerá como um desafio central na próxima década, exigindo contínuos investimentos em grid management e firming.

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