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68% da produção global de petróleo está concentrada em países expostos à pressão dos EUA

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Uma nova análise revela que a maior parte da produção mundial de petróleo está sob a influência das ambições geopolíticas dos Estados Unidos, destacando os riscos da dependência de combustíveis fósseis.

Enquanto o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, se prepara para se reunir nesta quinta-feira, em Washington DC, com a líder da oposição venezuelana e vencedora do Prêmio Nobel, María Corina Machado, uma nova análise da 350.org em parceria com a Zero Carbon Analytics revela que 68% da produção mundial de petróleo é impactada pelas ambições dos EUA de dominar os mercados globais de petróleo e gás.

A visita de Machado acontece em meio a dúvidas persistentes sobre os apelos do governo norte-americano para que empresas invistam na Venezuela – país que concentra cerca de 20% das reservas globais de petróleo bruto. Desde sua intervenção no país, os EUA passaram a fazer ameaças explícitas de uso da força contra outros países ricos em recursos naturais.

A mais recente Estratégia de Segurança Nacional do governo Trump, que explicita a intenção dos EUA de ampliar sua influência política, econômica e militar, vem sendo chamada de “Doutrina Donroe”, uma referência à Doutrina Monroe, de 1823. Embora originalmente apresentada como oposição à interferência europeia nas Américas, a Doutrina Monroe foi historicamente utilizada para justificar décadas de intervenções políticas e militares dos EUA na América Latina e no Caribe.

A Fragilidade da Dependência de Petróleo

Andreas Sieber, Head de Estratégia Política da 350.org, afirma:

“A dependência do petróleo nunca nos tornou tão frágeis e inseguros. Hoje, mais de dois terços do petróleo disponível no mercado global vêm de países onde o governo Trump projeta influência agressiva ou ameaça fazê-lo. A dependência de combustíveis fósseis se tornou um risco à segurança, expondo países e consumidores a aumentos repentinos de preços, interrupções no abastecimento e instabilidade gerada por conflitos. Cada escalada, sanção ou ameaça militar se reflete nos mercados globais, resultando em contas mais altas para famílias e choques econômicos que governos não conseguem controlar.”

A análise aponta que 68% da produção global de petróleo está concentrada em países na esfera de influência dos EUA, e 81% das reservas globais de petróleo estão na mesma esfera. Em relação ao gás, 53% da produção global e 52% das reservas comprovadas estão sob essa influência. Esses dados sublinham a alta concentração do fornecimento de energia nas mãos de potências com agendas geopolíticas explícitas.

“Contas de energia elevadas, crises econômicas e instabilidade política não são acidentais. São consequências previsíveis de permitir que poucos atores dominem um sistema do qual todos dependem. A alternativa é evidente: um sistema energético que nenhum ditador ou superpotência possa desligar: renovável, local e gerenciado por comunidades, não por poluidores. Sistemas justos de energia renovável não exigem proteção militar, não desestabilizam regiões e não alimentam conflitos geopolíticos.”

Esfera de Influência e Volatilidade Geopolítica

Dentro dessa estratégia, os países da América do Norte, Central e do Sul são explicitamente tratados como parte da esfera de influência dos Estados Unidos. O objetivo declarado é reafirmar a hegemonia norte-americana no hemisfério, remodelando relações políticas, econômicas e de segurança.

Considerando esse cenário, 79% da produção global de petróleo está hoje ou dentro da esfera de influência dos EUA ou sob controle da Rússia – um dado que evidencia a volatilidade estrutural e a insegurança que caracterizam os mercados de petróleo atuais. No último ano, o governo dos EUA realizou bombardeios ou intervenções militares na Venezuela, no Irã e no Iraque, além de emitir ameaças explícitas de uso da força contra diversos outros países e territórios, incluindo Canadá, Colômbia, Groenlândia e México. Em toda a região das Américas, muitos países que o governo Trump ameaçou, mesmo não estando sob controle direto de Washington, são amplamente percebidos como parte de sua esfera estratégica – uma realidade que gera riscos políticos e de mercado significativos.

Mesmo produtores de petróleo que não enfrentam ameaças diretas dos EUA estão profundamente integrados aos sistemas militar e financeiro norte-americanos, como demonstra a histórica cooperação em segurança entre EUA e Arábia Saudita, além da integração financeira e de defesa dos Emirados Árabes Unidos. Na prática, isso amplia a capacidade de influência dos EUA sobre o fornecimento global de petróleo, mesmo sem ações militares diretas.

Implicações e a Urgência da Transição Energética

Bridget Woodman, chefe de Política e Finanças da Zero Carbon Analytics, afirmou:

“Esta análise revela como o controle sobre os combustíveis fósseis está se concentrando em blocos cada vez mais rivais, um cenário com implicações negativas inevitáveis para a segurança global e para os custos do fornecimento de petróleo e gás. Trata-se de um alerta claro para os países que continuam priorizando combustíveis fósseis voláteis em vez de investir domesticamente em energias renováveis estáveis e seguras.”

De acordo com a Agência Internacional de Energia (IEA), a capacidade global de geração de energia renovável deve crescer cerca de 4.600 gigawatts entre 2025 e 2030, o dobro do registrado nos cinco anos anteriores. Energia solar, eólica, armazenamento em baterias e eletrificação não são apenas soluções climáticas, são estratégias de segurança de longo prazo. Esses dados reforçam a urgência de reduzir a dependência de combustíveis fósseis e acelerar uma transição justa para sistemas energéticos renováveis mais resilientes, democráticos e seguros.

A Alternativa Renovável

A análise conjuntamente realizada pela Zero Carbon Analytics e pela 350.org, utilizando dados do Energy Institute em 2025, através do Statistical Review of World Energy, sugere um caminho claro para mitigar os riscos geopolíticos atrelados à energia. A diversificação para fontes renováveis, que são inerentemente mais locais e menos suscetíveis a conflitos de superpotências, é apresentada como a principal estratégia de segurança energética. Ao investir em sistemas energéticos geridos por comunidades, os países podem se blindar contra as flutuações de preços e as instabilidades causadas pela concentração de poder sobre o petróleo e o gás.

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